terça-feira, 23 de setembro de 2014

Catástrofe no mar de Aral

Ele tinha uma área equivalente à dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos. Por séculos, foi um oásis no meio do deserto. Mas agora o mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, está morrendo. Simboliza o que poderá acontecer com os outros mananciais do planeta se o ritmo do uso irracional continuar como nos dias de hoje. Apesar do nome, o Aral é um grande lago que se tornou salgado. Antes da década de 1960, tinha 62.000 km2 de extensão. Hoje, já perdeu dois terços da sua área de superfície.

                                           

Em toda a bacia do Aral, existem mais de 5 mil lagos, a maior parte na região dos rios Amu Daria e Sir Daria. Sua morte foi prevista há quase 50 anos, quando o então governo soviético desviou dois rios que o alimentavam para irrigar plantios de algodão. Os agrotóxicos poluíram 15% das águas, também castigadas pelos efeitos das barragens de 45 usinas hidrelétricas. A floresta que cercava suas margens praticamente acabou. Cerca de 80% das espécies de animais desapareceram.
Com a erosão e a retirada exagerada de água, o Aral recebe anualmente 60 milhões de toneladas de sal carregadas pelos rios, matando peixes e, por conseqüência, a indústria pesqueira que sustentava a economia local. O sal e os pesticidas agrícolas se infiltraram no solo. Contaminaram lençóis freáticos, tornaram impossível a lavoura e elevaram a níveis epidêmicos doenças como o câncer. O Aral pode desaparecer se nada for feito para modernizar os sistemas de irrigação e adotar práticas ambientais menos agressivas.

O Caso de Minamata

Minamata é uma cidade japonesa que sofreu graves conseqüências devido a contaminação por mercúrio. Centenas de pessoas morreram e milhares tiveram anomalias que acabaram passando para as novas gerações.

                                      



Na década de 30, uma empresa se instalou na região, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico), jogava seus resíduos com mercúrio nos rios, contaminando os peixes. Como a doença leva alguns anos para se desenvolver, somente em 1956 começaram a surgir os primeiros casos da doença. Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando até mesmo à morte. 



No princípio as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos começaram apresentar doenças com as mesmas semelhanças. Somente de dez anos depois os médicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercúrio, base da alimentação daquela população. Estima-se que a empresa descartou de 200 a 600 toneladas de metilmercúrio na baía da cidade. Depois de várias batalhas judiciais, a empresa foi obrigada a indenizar as vítimas, mas o resultado da contaminação se faz sentir até hoje.

Guiyu- a cidade lixo (China)



A cidade chinesa de Guiyu, próxima de Hong Kong, importa anualmente 1 milhão de toneladas de computadores, impressoras e aparelhos de fax. O destino dos equipamentos não são escritórios, lojas nem centros de pesquisa, mas terrenos baldios. Trata-se de sucata tecnológica, vinda dos Estados Unidos, Japão, Europa e Coréia do Sul, que é desmantelada a golpes de martelo, chave de fenda e alicate. O objetivo é reaproveitar cada grama de metal e cada centímetro de fio. Esse negócio emprega 100.000 pessoas e movimenta 120 milhões de dólares por ano em Guiyu, o mais agitado centro de reciclagem de lixo eletrônico do mundo. O trabalho é perigoso. Além dos estilhaços de metal e vidro, há o risco de contaminação por substâncias tóxicas. Mas para os trabalhadores, na maioria migrantes de áreas rurais, o salário de 1,50 dólar por dia compensa o risco.

Até o início dos anos 90, Guiyu vivia da cultura de arroz. Hoje, a reciclagem tecnológica atingiu tal dimensão que cada zona da cidade se especializou num tipo específico de sucata. Em alguns bairros, trabalha-se apenas com o aproveitamento da tinta remanescente nos cartuchos de impressão. Em outros, as carcaças de PCs são primeiro quebradas em pedacinhos, que depois são separados por cor (um trabalho maçante executado por crianças) e, por fim, derretidos para a reutilização do plástico. Os monitores de vídeo são destruídos a marteladas em busca das partes mais cobiçadas, as conexões de cobre. Os fios são desencapados para o aproveitamento do metal. As placas dos computadores são tratadas com maior cuidado. Processadores e chips em boas condições são reinstalados em micros. Aqueles em pior estado são submetidos a banhos ácidos que retiram o metal usado na montagem. Os chineses recuperam com esse processo alguns gramas de ouro, platina e prata.
                                           
                                               

A ferramenta mais sofisticada no processo de reciclagem é a furadeira elétrica. Todo o trabalho é realizado ao ar livre ou em barracões próximos à casa dos operários. Não há nenhuma medida de segurança contra o contato ou a inalação do material tóxico contido na sucata, como o fósforo dos monitores. Também não existe nenhuma preocupação com o meio ambiente. O que sobra do desmanche é simplesmente abandonado em lixões dos arredores ou jogado nos canais de irrigação. "É uma das atividades mais sujas que já vi", diz Jim Puckett, coordenador de uma ONG americana que monitora o destino do lixo tecnológico dos Estados Unidos. Puckett é autor de um relatório sobre a reciclagem de sucata eletrônica, divulgado no início deste ano, chamado "Exportando perigo: o lixo high-tech que suja a Ásia". Além da China, outros países pobres, como Índia e Paquistão, reprocessam aparelhos eletrônicos, mas em menor escala. Dois anos atrás, o governo chinês proibiu a importação desse tipo de sucata, considerado prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Trata-se de uma proibição de mentirinha, que só existe no papel.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Rio Tâmisa



Dos tempos do 'Grande Fedor' – como o Tâmisa ficou conhecido também como rio fedorento em 1858, quando as sessões do Parlamento foram suspensas por causa do mau cheiro – até hoje, foram quase 120 anos de investimento na despoluição das águas do rio que cruza a cidade de Londres. Milhares de milhões de libras mais tarde, remadores, velejadores e até pescadores voltaram a usar o Tâmisa, que hoje conta com 121 espécies de peixes.


Se a poluição começou ainda nos anos de 1610, quando a água do rio deixou de ser considerada potável, a despoluição só foi começar a partir de meados do século XIX, na época em que o rio conquistou a infame alcunha com o seu mau cheiro.


A decisão de construir um sistema de captação de esgotos também deve muito às epidemias de cólera das décadas de 1850e 1860. A infraestrutura construída então continua até hoje como a espinha dorsal da rede atual, apesar das várias melhorias ao longo dos anos. Na época, os engenheiros criaram um sistema que simplesmente captava os dejetos produzidos na região metropolitana de Londres e os despejava no Tâmisa alguns quilômetros rio abaixo.


Na época, a solução funcionou perfeitamente, e o rio voltou a se recuperar por alguns anos. No entanto, com o crescimento da população, a mancha de esgoto foi subindo o Tâmisa e, por volta de 1950, o rio estava, mais uma vez, biologicamente morto. Foi então que as primeiras estações de tratamento de esgoto da cidade foram construídas.




Reintrodução artificial do Salmão


Em 1979, o salmão – que é reconhecidamente sensível à poluição, foi reintroduzido no rio, tendo sido escolhidos espécimes ainda imaturos para que fossem por instinto até ao mar e de seguida subissem o rio de modo a reproduzirem-se naturalmente. No entanto, em 2006 e pela primeira vez desde o início desta experiência, não foi detectado um único salmão, o que leva a crer que o projeto esteja à beira de falhar